16 de janeiro de 2012

À MODA DOS MARINHEIROS

Depois de passar um mês pesquisando a Marinha e seus marujos no século XIX para um filme e de confeccionar os figurinos de acordo com a época, me deparei com a seguinte situação: a imagem é super moderna, ou melhor, super contemporânea.
Confesso que fiquei até com medo do diretor achar que os looks estavam fashion demais para a ocasião, mas era aquilo mesmo. As listras eram as camisas de dentro, parte do uniforme que é usado até os dias de hoje, e gandolas, aquela típica blusa com golinha de marinheiro, também ainda são usadas.
ON THE TOWN, 1949 musical estrelado por Frank Sinatra e Gene Kelly já retratava os marinheiros nos figurinos.
Não é a toa que estes elementos aparecem tanto no nosso cotidiano, desde o pato Donald, passando pelas clássicas roupinhas infantis, pelo universo da moda e chegando até o Marinheiro Popeye. Difícil é para nós, figurinistas, amenizar este vínculo popular na hora de fazer um filme de época. Os comentários no set de filmagem são sempre os mesmos: “Igualzinho ao Popeye!”.


Os marinheiros são antiga inspiração, Chanel já abusava deste estilo na década de 20, mas foi Jean Paul Gaultier, na década de 80, que eternizou a camisa listrada de marinheiros. Além dele a dupla de fotógrafos Pierre et Gilles, famosa por suas imagens inspiradas no universo gay, sempre usava e abusava dos marinheiros em suas lindas composições.
DANS LE PORT DU HAVRE, Pierre et Gilles, 1998.
LE MARIN, Pierre et Gilles, 1985.
SUICIDEBLONDE, Retrato de Jeans Paul Gaultier de Pierre et Gilles, 1990.
Navy é um clássico que sempre volta no verão. Mesmo que não haja listras no look, as cores azul marinho, branco e o amarelo ouro são uma combinação perfeita, melhor ainda quando os acessórios dourados, que fazem link direto com as insígnias e botões militares, completam o look. Na dúvida do que vestir, aposte num clássico! E o Navy é, sem dúvida, o melhor deles para o verão.

9 de janeiro de 2012

Um quê de África no ar

Vivemos um tempo onde o mundo se volta para as suas origens. Tanta tecnologia, tanta informação e o que nós mais queremos é voltar para onde viemos, vontade de voltar para a barriga da mãe, vontade de sentir o frescor e a brisa cada vez mais raros no verão, saudade do olhar que tínhamos quando crianças.

 

 
Os elementos, cada vez mais contemporâneos, estão aí para quem quiser ver. Rendas, estampas, pulseirismo, puro algodão, listras e os muitos tons de branco. Existe um quê de África no ar... Existe uma vontade de amarrar um pedaço de tecido na cintura, outro na cabeça e sair por aí, com uma base de renda e com muitos acessórios dourados. É o que se vê, é o que se percebe!

E toda essa mistura é resultado de outra mistura que aconteceu há séculos atrás, de forma violenta e triste, um mal que tentamos remediar com dias e feriados e homenagens, mas que nunca sairá da nossa história. Assim como as belas formas, a riqueza de detalhes, a veia artesanal o instinto de vencer e superar as dificuldades que o nosso povo ganhou.

É a África meu bem! Foi um continente inteiro que chegou concentrado na alma desse povo sofrido e até hoje nos influencia e nos inspira. Foi a África que já chegou aqui muito influenciada pela cultura do oriente, pelos mouros, pelos árabes muitas vezes responsáveis pelo transporte dessas pessoas, até então tratadas como coisas. “Óh Pai, perdoai-os... eles não sabem o que fazem...” E eles não sabiam mesmo o que estavam fazendo. Era um mal e, ao mesmo tempo um bem, sem precedentes.

Acendeu-me esta chama ao conhecer através do olhar do fotógrafo Daniel Leite um lugar chamado Kabadio, um vilarejo com apenas três mil habitantes, no interior do Senegal. Uma riqueza de imagens e de curiosidades sobre este povo que vive sob o regime do Islã. É a pura mistura do Oriente com a África, é a pura inspiração dos nossos dias, mesmo que inconsciente.
Clique na imagem acima para assistir os vídeos

A vontade deste artista de resgatar a nossa ancestralidade através deste projeto e ainda assim fazer humanitarismo através da arte, afinal Daniel quer mesmo é ajudar Kabadio. Uma iniciativa ainda rara, mas são sinais de que o nosso olhar está cada vez mais voltado para dentro e para de onde viemos.

2012

Tenho lido e relido os posts que fiz como colaboradora do blog da marca Dress To em 2011.
Tem sido uma experiência muito legal e, por mais que ele fique lá por tempo ilimitado, acho bom voltar a divulgá-los aqui.
Afinal... Aqui é o meu lugar e é aqui que vou voltar a escrever.
2011 foi um ano de muito trabalho... Tive a super oportunidade de assinar os figurinos de três filmes, além de continuar o meu trabalho na TV Brasil, e isto ocupou praticamente todos o meu tempo e a minha cabecinha, o trabalho absorveu a minha inspiração...
Mas voltei! E vou tentar dividir a minha cabecinha entre o trabalho e aqui.
Afinal... Aqui é o meu lugar!