Vivemos um tempo onde o mundo se volta para as suas origens. Tanta tecnologia, tanta informação e o que nós mais queremos é voltar para onde viemos, vontade de voltar para a barriga da mãe, vontade de sentir o frescor e a brisa cada vez mais raros no verão, saudade do olhar que tínhamos quando crianças.
Os elementos, cada vez mais contemporâneos, estão aí para quem quiser ver. Rendas, estampas, pulseirismo, puro algodão, listras e os muitos tons de branco. Existe um quê de África no ar... Existe uma vontade de amarrar um pedaço de tecido na cintura, outro na cabeça e sair por aí, com uma base de renda e com muitos acessórios dourados. É o que se vê, é o que se percebe!
E toda essa mistura é resultado de outra mistura que aconteceu há séculos atrás, de forma violenta e triste, um mal que tentamos remediar com dias e feriados e homenagens, mas que nunca sairá da nossa história. Assim como as belas formas, a riqueza de detalhes, a veia artesanal o instinto de vencer e superar as dificuldades que o nosso povo ganhou.
É a África meu bem! Foi um continente inteiro que chegou concentrado na alma desse povo sofrido e até hoje nos influencia e nos inspira. Foi a África que já chegou aqui muito influenciada pela cultura do oriente, pelos mouros, pelos árabes muitas vezes responsáveis pelo transporte dessas pessoas, até então tratadas como coisas. “Óh Pai, perdoai-os... eles não sabem o que fazem...” E eles não sabiam mesmo o que estavam fazendo. Era um mal e, ao mesmo tempo um bem, sem precedentes.
Acendeu-me esta chama ao conhecer através do olhar do fotógrafo Daniel Leite um lugar chamado
Kabadio, um vilarejo com apenas três mil habitantes, no interior do Senegal. Uma riqueza de imagens e de curiosidades sobre este povo que vive sob o regime do Islã. É a pura mistura do Oriente com a África, é a pura inspiração dos nossos dias, mesmo que inconsciente.
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A vontade deste artista de resgatar a nossa ancestralidade através deste projeto e ainda assim fazer humanitarismo através da arte, afinal Daniel quer mesmo é ajudar Kabadio. Uma iniciativa ainda rara, mas são sinais de que o nosso olhar está cada vez mais voltado para dentro e para de onde viemos.